Às favas, espectador!

Fim melancólico do casamento TV Fronteira/Globo

Desrespeito ao espectador do oeste paulista marca o rompimento desse contrato

Fim melancólico do casamento TV Fronteira/Globo
Publicado em 31/08/2025 às 9:18

Ulisses de Souza

A TV Fronteira se despede de forma melancólica de um contrato de 30 anos com a Globo.

A rescisão foi litigiosa e chegou aos tribunais. Condenada a retransmitir os programas da TV Globo até as 23h59 de hoje (31), a emissora prudentina usa o canal desde ontem (30) à noite para anunciar que vai manter os programas jornalísticos sem a pareceria da Globo.

A atitude da TV Fronteira é um desrespeito e afronta o seu público, que deixará de assistir os programas da Globo desse domingo.

Essa atitude denota o rancor com que os proprietários da TV Fronteira (Paulo Lima e família) saem dessa união de três décadas.

Com a chegada da TV TEM, originária de Bauru, os espectadores do oeste paulista não sabem o que esperar.

A TV Fronteira destaca a continuidade de suas atividades jornalísticas e cria incertezas quanto ao futuro dos mais de 120 funcionários envolvidos no processo. Nos últimos meses, a empresa não garantiu a manutenção dos empregos dos profissionais, mesmo após solicitações do Sindicato dos Jornalistas Paulistas. O tema está sendo acompanhado pelo Ministério do Trabalho.

A razão do uso político do canal da TV Fronteira pelo proprietário é balela da TV Globo, haja vista que as emissoras de todo o país foram gentilmente oferecidas a congressistas no governo Fernando Henrique Cardoso. A afiliada de Presidente Prudente coube ao deputado federal constituinte, Agripino Lima.

Outro exemplo relevante envolve o ex-presidente Fernando Collor e a afiliada da TV Gazeta de Alagoas, cuja disputa judicial segue sem resolução.

Durante 30 anos de parceria com a Globo, a TV Fronteira enfrentou desafios para implantar um jornalismo considerado imparcial, devido à atuação dos proprietários e às diretrizes do departamento comercial. Isso impactou o conteúdo oferecido aos telespectadores da região.

Afinal, o objetivo era o lucro e o maior prejudicado foi o usuário do canal prudentino que recebeu por anos um jornalismo, se não medíocre, quase.

Poucos se lembram do escritório da Globo, quando os programas eram gerados por Bauru. Nessa época o jornalismo era conduzido por nomes como Luiz Ávila, Luiz Augusto e Roberto Prioste. Em outros períodos, especialmente sob a direção de José Luiz Zana, também houve avanços em busca de imparcialidade.

Fui processado por críticas ao jornalismo da TV Fronteira. A ação judicial foi arquivada. Mesmo mediante solicitação, a emissora optou por não divulgar tal informação.

Hoje, a expectativa é que a TV Fronteira, em carreira solo, promova melhorias em seu jornalismo para fortalecer sua atuação diante da nova concorrência. Aguarda-se, ainda, esclarecimentos sobre a cobertura das cidades do oeste paulista pela TV TEM.

Vamos aguardar!