INVESTIMENTO

Estradas rurais precisam de projeto e não motoniveladora

Para entender, a água arrasta solo, como areia e argila, sobre as estradas, causando problemas nos cursos d'água existentes e grande impacto ambiental. É preciso coletar essas águas, bem como as das propriedades localizadas às margens das estradas.

Estradas rurais precisam de projeto e não motoniveladora
Publicado em 02/02/2025 às 20:35

Ulisses de Souza

Onze vereadores – cinco imberbes em gestão pública – aprovaram um endividamento de R$ 7,5 milhões para a compra de maquinários, equipamentos e implementos.

“Loucura, loucura”, como diria aquela besta global, Luciano Huck.

Seguiram o notório saber do ex-vereador Stéfano que em sessão do legislativo anterior propôs uma solução para arrumar os 1,5mil/km de estradas rurais. “Ir a um banco, fazer um empréstimo, comprar uma motoniveladora e endividar a prefeitura, que não precisa dar lucro, pois não quebra nunca”, disse o nobre edil.

Pois bem, vamos ao que interessa. Como pode o legislativo aprovar em ritmo de urgência, emergência, projeto que diz apenas que a prefeitura precisa de R$ 7,5 milhões para comprar tratores, equipamentos e o escambau?

Imaginem vocês o desfile dessas “máquinas amarelas” pelas principais avenidas da cidade, e o povão, atônito, banzado, a enaltecer essa pirotecnia de marketing.

Os 6 (seis) vereadores remanescentes, que deveriam questionar esse tipo de operação, foram os mais subservientes. A Câmara é pródiga, nisso. Muda o time, altera-se a tática.

Vou tentar explicar didaticamente, o que em 4 ou 8 anos os remanescentes do legislativo não aprenderam. Os olhares turvos não os deixam ver os recursos públicos sob a ética que norteia os princípios da moralidade administrativa.

Quem assina o jornal sabe o que vou repetir. Rancharia possui 1.500 km de estradas rurais. Três vezes a distância de Rancharia a São Paulo. É inaceitável que os políticos defendam apenas a manutenção durante a época chuvosa, sem uma solução definitiva.

O que sempre defendi é que haja um projeto de investimento para resolver esse problema. Não importa o prazo, seja de 4, 8 ou 12 anos. Gestores públicos, como refeitos, devem cumprir a sua obrigação em cada etapa.

Resolver o problema das estradas rurais envolve tempo e recursos financeiros. É uma obra complexa, possivelmente de anos. É extorsivo e trabalhoso depender apenas das manutenções temporárias durante as chuvas de verão.

Prefeitos vêm e vão. São meros carreiristas e isso tem sido prejudicial ao município. Até se envolvem em práticas questionáveis. Não conseguem propor um único projeto dentro da previsão orçamentária.

São prefeitos focados em custeio, não em investimentos. Tomam decisões com a conivência da Câmara, sem propor mecanismos para a participação da sociedade civil — o eleitor — nas decisões de políticas públicas.

Estão querendo voltar aos velhos tempos do Roma e do Zé Viola, que dominavam as motoniveladoras de uma única pá e eram mestres em plainar estradas de terra.

As estradas rurais não precisam apenas de motoniveladoras.

Um governo sério e democrático já teria elaborado um projeto com investimentos assegurados nos orçamentos anuais para solucionar definitivamente o problema. No entanto, essa é uma obra que não traz dividendos políticos, por isso é ignorada.

Nos 1.500 km de estradas encontramos diversos tipos de solo. O solo do bairro da Confusão não é o mesmo dos bairros na divisa com Iepê, por exemplo. Portanto, é necessário investigar a capacidade de infiltração da água em cada quilômetro. Assim, será possível elaborar um projeto adequado para interceptar as águas com dispositivos de drenagem e captação.

Embora pareça simples, não é.

Para entender, a água arrasta solo, como areia e argila, sobre as estradas, causando problemas nos cursos d’água existentes e grande impacto ambiental. É preciso coletar essas águas, bem como as das propriedades localizadas às margens das estradas.

Ao estudar o solo e sua infiltração, deve-se considerar também a precipitação milimétrica dos períodos chuvosos.

Sem esses estudos, será impossível projetar um sistema de drenagem e reaproveitamento da água das chuvas, que precisaria ser desviada de forma limpa (sem areia, etc.) para os cursos d’água.

Vale ressaltar que o atual sistema de manutenção, além de deixar os moradores da zona rural impossibilitados de transitar nas estradas durante os períodos chuvosos, causa prejuízo à Prefeitura, com o consumo de diesel dos maquinários, bem como ao meio ambiente, pela poluição causada pelos tratores.

Com esse sistema de manutenção, as erosões nas estradas e pastagens são inevitáveis.

Portanto, não é fácil solucionar os problemas nas estradas rurais.

Os vereadores, assim como o prefeito e sua equipe, deveriam estudar mais, solicitar o apoio da Faculdade de Geologia da Unesp de Presidente Prudente para a pesquisa de solo dos 1.500 km de estradas e indicar a melhor forma de elaborar o projeto de drenagem e captação.

Sem isso, estaremos apenas lidando com os mesmos problemas anualmente, com a manutenção hoje e a degradação das estradas amanhã pelas chuvas.