ULISSES DE SOUZA
Feliz Ano Novo, porquê?

Ulisses de Souza
A história política de Rancharia é pura falcatrua! As trapaças vêm de longe e estão vivas até hoje, porém, mais sofisticadas. O poder gira desde a criação do município nas mãos de poucas, pouquíssimas famílias, todas ricas e petulantes.
Juízes e promotores sempre evitaram esquentar cadeiras no município, mas antigamente chegaram a morar na cidade, e se comportavam como um cidadão comum. Mas, não se arriscavam. Hoje, nem isso. Há dois juízes e dois promotores, que residem em Presidente Prudente e evitam pôr a mão em cumbuca e enfrentar os poderosos. Cobram dívidas do pobre, toma-lhes a casa, o automóvel, mas não fazem isso com os ricos, sempre amparados por advogados, especializados em fraudes.
Mentiras nos autos são engolidas pelos representantes da Justiça por não conhecerem nada do município. Processos envolvendo políticos acabam sendo arquivados de forma até vergonhosa, como na época que um promotor e um juiz foram homenageados com o título de cidadão ranchariense, sem respeitar qualquer artigo da lei que disciplina essa láurea. Esses magistrados nem lembram disso, mais.
Os dois promotores atuais me recebem cordialmente. Dão satisfação do que acontece nos autos dos inquéritos abertos principalmente contra prefeito. No entanto, tudo não dá em nada. Esses inquéritos demoram décadas como foi a condenação do prefeito Marquinhos do Povo, no caso da merenda escolar (Nutriplus), cuja investigação foi aberta a pedido do jornal O FATO.
Em Rancharia, até as emendas dos vereadores que juntas somam milhões têm rastros que podem chegar a um barril de pólvora. Assim, como o Ministro Flávio Dino, corajosamente quer, porque quer, transparência e rastreabilidade nas emendas dos deputados e senadores. O MP tupiniquim poderia rastreá-lo-ás
Aqui, em Ranch City, o normal é visto como num filme de ficção. Em campanhas eleitorais, é tudo à luz do dia, pois ninguém prova nada. Todo mundo nega, quem comprou e quem foi comprado. O pior é o desgraçado que tem o voto comprado por R$ 50,00 ou R$ 100,00. Cabresteado, que mantém o coito eleitoral programado a cada quatro anos.
Lembro-me bem, adolescente, que fui ver a fila que virava a avenida D.Pedro II, a partir de um escritório da avenida Pedro de Toledo. Era formada por pessoas, no dia da eleição, que aguardavam – sob sol a pino – o momento de receber dinheiro vivo para votar no candidato de quem distribuía a grana. Um membro do PMDB (ou MDB, não recordo qual a sigla de plantão) foi ao Fórum e conseguiu convencer o juiz a visitar tamanha ousadia em plena luz do dia.
O juiz foi obrigado a dar voz de prisão ao coronel. O duro foi convencer o pessoal da polícia para trancafiar o cidadão que no dia anterior havia retirado muita grana dos bancos com a conivência dos gerentes.
O coronel foi solto após o encerramento da votação. Mas, por pouco a aguerrida população de Rancharia não invadiu a cadeia para libertar o coronel e não tomou o Fórum para surrar o juiz ousado, que após as eleições escafedeu-se.
Rancharia é assim e não vai mudar. Altera-se apenas o modus operandi, talvez até mais ousado. Nessa eleição de 2024 a compra de voto, com a garoupa, foi pra todo mundo ver. Dos dois lados fortes.
Não há mensagem de fim de ano que possa amenizar o ímpeto fraudulento e trapaceiro dos donos do poder em Rancharia.
Nos próximos 60 dias saberemos se o imberbe político vai pôr a mão em feridas que não cicatrizam há décadas e que já consumiram milhões de dinheiro público do município, sempre favorecendo os mais ricos.
Nós, da redação de O FATO (eu e eu), aguardaremos o desenrolar das aptidões dos novos gestores, já devidamente acomodados com a matula que cada um trouxe de casa para o paço municipal, se é que isso ainda existe nesta terra arrasada.
Por enquanto, ficamos naquela do sujeito que recebe o tradicional “bom dia”, com a pergunta e reponde: “bom dia porquê?”
Então: Feliz Ano Novo, Rancharia!
