TV FRONTEIRA

Jornalistas e Radialistas da TV Fronteira não obtêm acordo em audiência do MT

O Grupo Paulo Lima mantém no ar a TV Fronteira como canal independente e insegurança de manter os empregos causa apreensão entre os funcionários

Jornalistas e Radialistas da TV Fronteira não obtêm acordo em audiência do MT
trabalhadores(as) aprovaram uma vigília em defesa dos empregos, na próxima segunda-feira (15).
Publicado em 12/09/2025 às 20:13

Sindicato dos Jornalistas

A juíza da 1ª Vara do Trabalho de Presidente Prudente, Nelma Pedrosa Godoy Sant’Anna Ferreira, manteve liminar que impede demissões na TV Fronteira até o julgamento da ação civil impetrada com base em denúncias apresentadas pelo Sindicato dos Jornalistas e Sindicato dos Radialistas.

Segundo o Sindicato dos Jornalistas, a decisão da juíza foi tomada após a audiência sobre a ação civil pública do Ministério Público do Trabalho (MPT), que determina à TV Fronteira que não realize dispensa em massa, sem prévia negociação com os sindicatos de alternativas às demissões, compensações às(aos) trabalhadoras(es) e outras formas que mitiguem os impactos às(aos) profissionais.

Nessa audiência, segundo informou o Sindicato dos Jornalistas, “representantes do Grupo Paulo Lima afirmaram que não há porque seguir no processo, uma vez que não demitiram. Disseram ainda que a TV Fronteira é um canal independente, não há intenção de demitir, mas não há como estender a situação por muito tempo”.

Os representantes das(os) trabalhadoras(es) defenderam a importância da assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo MPT para garantir a negociação com os sindicatos.

Segundo o Sindicato, casos de adoecimento de trabalhadores(as) pela insegurança enfrentada, que “só tende a aumentar nesse momento com o temor das demissões em massa, normalmente disfarçada pelas empresas de comunicação como dispensas à conta-gotas.”

Os sindicalistas informaram ainda sobre a falta de transparência da empresa, uma vez que sequer foi respondido ofício conjunto dos sindicatos, enviado em 1º de setembro, solicitando reunião para obter informações sobre os planos de gestão e a grade de programação com o fim da retransmissão da Rede Globo.

A juíza Nelma Pedrosa Godoy Sant’Anna Ferreira determinou dez dias úteis para réplicas. Após esse período, a empresa, na condição de ré, poderá se manifestar. Em seguida, a data do julgamento da ação será marcada.

Os(as) trabalhadores(as), que se mantêm em estado de greve há dez meses, sabem que a situação indefinida não se estenderá por muito tempo e estão dispostos a intensificar a mobilização. Em assembleia presencial, realizada na noite de quarta (10), no Sindicato dos Servidores Municipais (Sintrapp), trabalhadores(as) aprovaram uma vigília em defesa dos empregos, na próxima segunda-feira (15).

Resistência

Desde 31 de agosto, com o término do contrato de retransmissão, o sinal da Rede Globo no Oeste Paulista passou a ser retransmitido pela TV Tem, em substituição à TV Fronteira, do Grupo Paulo Lima.

Só que o sofrimento para cerca de 120 profissionais com o risco de perderem seus empregos vem desde outubro de 2024, quando a mídia noticiava que a Rede Globo comunicou ao Grupo Paulo Lima de que o contrato de retransmissão de sinal com a TV Fronteira não seria renovado e que em janeiro de 2025 a TV Tem seria a nova retransmissora. O motivo divulgado foi o uso da audiência para autopromoção do dono – que dá nome ao grupo – durante sua campanha a prefeito de Presidente Prudente.

Graças à força de trabalho de seus profissionais é que a TV Fronteira levou, por tantos anos, informação jornalística a 56 municípios da Região Oeste do Estado de São Paulo. Somente com a experiência destes(as) trabalhadores(as) é que a empresa poderá sustentar qualidade e reconhecimento. Essa qualidade depende de equipes de cobertura jornalística, com atuação reconhecida pela comunidade, formadas por repórteres, cinegrafistas, operadores de estúdio, redatores, editores, designers, produtores, pessoal administrativo, motoristas e outras(os) profissionais.

Essa força agora se revela na vontade lutar pelo legítimo direito ao trabalho. No dia da audiência, jornalistas e radialistas aderiram em peso ao Veste Branco decidido em assembleia na semana passada e pessoas foram para a porta da empresa se juntar à faixa dos sindicatos ”Em defesa dos empregos”.