Mônaco, Fórmula 1 e Turismo

Ulisses de Souza
Assisti hoje a corrida de Fórmula 1, realizada em Mônaco. Este ano, as provas são transmitidas pela Globo, que libera algumas delas para a TV Aberta (gratuita). Sacanagem, pura! Preferia a Band, que mostrava treinos e tudo na TV Aberta. Preferia, de longe, a transmissão de Sérgio Maurício e os comentários do nosso Reginaldo Leme, com Max Wilson e Felipe Giaffone.
Mas o que me leva a escrever esse artigo é sobre como a Fórmula 1 e Mônaco são tema de turismo mundial.
Há mais de 11 anos, em 5 de outubro de 2014, passei uns dias em Mônaco em excursão a 15 países da Europa. O que me preocupava ao chegar ao principado não era ver o Palácio do Príncipe ou a Igreja, sempre fechada, onde a atriz Grace Kelly se tornou princesa de Mônaco ao se casar com o príncipe Rainier III. A minha preocupação era saber onde estava a urna que turistas em trânsito poderiam votar no primeiro turno de Dilma e Aécio Neves.
Nosso buzão, com pessoas de vários Estados, não acomodava quem tivesse interesse na eleição. Maioria de médicos, engenheiros, pecuaristas, e outros privilegiados.
Fiquei com a brocha na mão. Fui o único a reivindicar a passagem pela urna instalada no Principado.
Em compensação, nossa guia turística despejava informações sobre locais que deveriam ser visitados. Quando passávamos por uma rua, ela indicou o asfalto. Havia uma mancha de rastro de pneu. “Nesse ponto foi a largada da Fórmula 1 e essa marca foi deixada pelo carro de Lewis Hamilton”, disse.
Vejam vocês. A corrida foi disputada no dia 25 de maio de 2014, vencida por Nico Rosberg, da Mercedes. Hamilton ficou em segundo lugar. Interessante como ela tinha a certeza de que a patinada era do piloto Lewis, há quase 120 dias do ocorrido. Qualquer dia escrevo sobre o motivo de um romano estar nu em estátua existente no Vaticano com um pênis bem pequeno.Quero dizer, motivo, não, mas história de guias turísticos.

Andar em Mônaco exige até o uso de elevadores para se chegar em certas alturas, como numa que se localiza a igreja onde casou Grace.
Mas, um pouco bravo por não poder votar na Dilma, acompanhei a Marília e minha filha Malú com amigos de Presidente Prudente a uma padaria para fazer um lanche. Havia um mostruário com sanduíches. Muita baguete. As mesas, como em locais turísticos, ficavam na calçada. Cada um com seu pratinho, nos dirigimos às mesas externas. Já acomodados, chega um funcionário da empresa e nos expulsa do local. Mesmo com a dificuldade de comunicação entendemos que na nossa nota fiscal não tinha o pagamento para se sentar naquele local. Não fomos informados, dificuldade de língua. Prontamente, fomos ao caixa quitar a taxa. Não aceitaram e justificaram que a venda é única e as taxas devem ser incorporadas ao produto pago. Em pé, no balcão, comemos os lanches.
Coisa de cidades turísticas da Europa.
Mônaco é o segundo menor Estado do planeta. Tem cerca de 40 mil habitantes (quase do tamanho de Rancharia). Uma maioria, emergente ou não, que esnoba riqueza, muita riqueza.
Mesmo sendo período distante, pretendo escrever um livro sob a visão de um jornalista e não de um turista em excursão pela Europa.
Não sei se vou ter tempo, pois tenho a pretensão de terminar quatro produções literárias já iniciadas. Duas sobre Rancharia.
A vida anda mais que trem bala!.
