ESPÍRITO DE OSTRA!

Pelo fim da Câmara jurássica!

Vídeo de Câmara inaudível, apagões nas transmissões, site sem atualização, falas sem divulgação. Jornalista põe o dedo nessa ferida legislativa

Pelo fim da Câmara jurássica!
Publicado em 14/05/2025 às 9:15

A Câmara Municipal se mostra algo fora do tempo, ultrapassado, tal qual a escada “penitencial” erguida à frente do seu prédio como prova de acessibilidade. O tempo passa e nada se renova. Nem os vereadores iniciantes demonstram a que vieram, com exceção dos sérvulos do executivo.

Sai presidente e entra presidente, e tudo parece estar pior do que antes na terra da “Abrantes”. Agora, o trono é ocupado pelo vereador Vitinho, aquele bravo edil quando era oposição ao governo Marquinhos do Povo. O temido contraditor não existe mais. Agora, Vitinho se transforma na fase adulta do legislativo como uma borboleta que saiu a voar e deixou de ser larva na pele de uma lagarta.

Na sua gestão, em plena revolução tecnológica, tudo piorou.

As sessões semanais (4 por mês) são iniciadas com atrasos injustificáveis. Dá uma impressão de “acerto” de última hora. Afinal de contas, todos tiveram uma semana para exercer essa atuação “extramuros”. O coitado do cidadão, que ainda se dispõe a ouvir as sessões, não sabe o que fazer diante da inerte bandeira brasileira. Troque pelo menos para a de Rancharia. Além de um baita desrespeito ao cidadão, é uma baita contrariedade ao regimento interno, que indica o horário de início, sem atraso, com ou sem vereadores.

O som, então, continua inaudível. O idoso acha que é a sua crescente perda de audição e chega a marcar uma visita ao otorrino. O vídeo tem mais apagões do que a rede elétrica da Energisa.

O site da Câmara tá mais atrasado do que o nosso Barrichelo na Fórmula 1. Não há como acompanhar as indicações, moções e requerimentos. Pelo menos essas baboseiras eleitorais, já que projeto idealizado por vereador é coisa rara.

Em qualquer Câmara, o usual democrático é publicar a pauta dias antes das sessões (em Rancharia, elas acontecem às segundas-feiras). É um absurdo receber no dia da sessão projetos do executivo em caráter de urgência, com análises fajutas das comissões. Não é ilegal. É imoral! Todo projeto deve ser bem analisado e não votado sem saber qual o verdadeiro reflexo financeiro e se atende alguma política pública.

A cada sessão, diminui o número de vereadores que usa a tribuna. Por que será? Não têm o que falar sobre projetos para o município? Só sabem agradecer e elogiar coisas que não estão no contexto do interesse público.

Antigamente, a ata publicava os discursos dos vereadores. Não sei quem suprimiu isso. É um registro político e deve ter transparência na divulgação. Hoje, com a IA, basta um aplicativo e um toque para transformar voz em letra.

Dinheiro tem, de sobra, para contratar funcionários e modernizar a estrutura, principalmente a da comunicação. A Câmara recebe por lei uma bela dotação orçamentária anual. Há uma sobra significativa que é devolvida ao executivo e o prefeito gasta no que quiser. É algo urdido durante o ano e combinado entre prefeito e presidente do legislativo.

Então não justifica a Câmara viver como se estivesse numa época jurássica. Ou há razões para manter o eleitor aculturado que já nem sabe em quem votou?

Vitinho, como jovem político, tem a faca e o queijo na mão para fazer do legislativo um exemplo de transparência com a coisa pública.

É pagar pra ver!