ARROCHO!

SIMBIOSE POLÍTICA. FACÃO sendo FACÃO

SIMBIOSE POLÍTICA. FACÃO sendo FACÃO
Publicado em 17/11/2025 às 16:27

Ulisses de Souza

A Câmara poderá aprovar hoje (17) o projeto que implanta taxas e impostos no município. Pelo andar da carruagem, não haverá muito obstáculo no submisso legislativo, que deverá ratificar o pedido do executivo sem grandes obstáculos, refletindo pouca abertura ao debate democrático.
Lembro que quando fundei o jornal O FATO, há 47 anos, encontrei um quadro no qual o prefeito Mané Facão decidiu taxar Deus e todo mundo, além de impor impostos absurdos.
Essa foi a primeira discordância entre o prefeito e o jornal. O arquivo de O FATO, disponível na biblioteca, mostra os excessos e o impacto econômico resultante disso no município.

Mané Facão organizou ao menos três grupos fundamentais para sustentar sua ambição de arrecadar recursos: uma Câmara submissa, um setor jurídico dedicado à cobrança judicial e uma população totalmente desinformada. Naquele período, ele recorria a um “marketing popular”, adaptado ao gosto do povo.
Já escrevi que o prefeito Homero Pinelli Severo Lins se transformou no clone do avô, simbiose perfeita.
Homero demonstra esperteza ao utilizar estratégias de marketing para influenciar o público nas redes sociais, consideradas atualmente como espaços virtuais abertos.
Ainda não realizei a análise do projeto, mas pretendo divulgá-lo após uma avaliação detalhada que o tema exige. Na próxima edição do jornal O FATO.
Vi situações que podem gerar custos para trabalhadores autônomos, pequenos empreendedores e até para pessoas sem recursos, cujas famílias precisariam arrecadar dinheiro para o enterro de um ente querido.
É simples mexer com os mais vulneráveis, mas o verdadeiro desafio está em abordar os problemas atuais da economia, que têm intensificado a desigualdade social em Rancharia,

Como os vereadores reagirão ao perceber que o Grupo de Investimentos, controlador do Supermercado Avenidas, foi excluído do projeto para pagar aluguel em área nobre pertencente ao patrimônio público?
Qual será o valor do aluguel do imóvel cedido à Associação Comercial na baixada?
E quanto ao imóvel do antigo “Restaurante do Balneário”, cedido gratuitamente a um sindicato?
Além disso, destaca-se o terreno de aproximadamente um alqueire originalmente cedido para a construção da torre da Rádio Difusora, atualmente sob gestão de representantes políticos e utilizado em programas evangélicos durante a madrugada. Não vão cobrar nada?
Vai cobrar na Justiça a dívida de mais de R$ 1 milhão que a APSA deve ao município e hoje ganha dinheiro arrendando para a fábrica Comgrup, quando o terreno foi doado pela Prefeitura?
A Prefeitura não pretende cobrar pela ocupação (doação centenária) do imóvel da antiga Sanbra?
A Prefeitura de Rancharia não justificou a necessidade de grandes sacrifícios da população. Enquanto isso, o marketing de Homero Facão não explicou o que foi feito com o superávit recebido do governo anterior.
E os vereadores? Não terão vergonha dos votos que vão dar para penalizar quem quer trabalhar? Vale lembrar que o voto deles ficará registrado em jornal e outras gerações poderão saber como procederam como políticos.
Consultando as edições antigas de O FATO depreende-se que na época da aprovação das taxas e impostos do Mané Facão, dois apelidos se sobressaíram, O do prefeito que passou a ser chamado de “Mané Taxa” e do presidente da Câmara, Dito Patrão, que passou ser chamado “Dito Facão”.
Vale ressaltar que naquela época médicos foram à Justiça contra o ISS, que seria o mais alto cobrado no Estado de São Paulo. No campo, 27 proprietários rurais foram à Justiça contra o imposto deles.
Mané Facão aplicou ISS e taxa de água ao hospital, tentou cobrar o ISS na justiça e interrompeu o fornecimento de água.

O prefeito Homero Facão, semelhante ao avô, depende de uma Câmara submissa. Aprovar este projeto com urgência, sem debate ou emendas, será prejudicial para todos.


(Na próxima edição de O FATO, reportagem pesquisada, analítica sobre os atos de duas gerações, avô e neto. Assine e leia com exclusividade)