ARTIGO
TREM FANTASMA
Jornalista Ulisses de Souza analisa pedido do Ministério Público para exonerar as pessoas que ocupam 115 cargos nomeados por Homero Facão

Ulisses de Souza
A trapaça envolvendo as nomeações do “cabide” ou “trem da alegria” não tem limites para gestores e advogados públicos de administrações municipais de Rancharia. Há anos – principalmente nos governos de Ieia e Marquinhos – eles procuram burlar a Constituição e por meio de entendimentos jurídicos fajutos nomeiam “aspones” fechados por acordos espúrios, principalmente em campanhas eleitorais.
Esses “aspones” não são os culpados, pois muitos procuram fazer jus ao excelente salário e até tentar executar o que não sabem. Os culpados são o prefeito, vice e o departamento jurídico. Agem como verdadeiros falsantes, pois buscam vantagens em disputas eleitorais cooptando até os familiares dos nomeados.
Vejam vocês. Homero Facão nomeou ilegalmente 115 pessoas. Ora, isso significa no mínimo 400 votos, como sinônimo de gratidão. A Justiça eleitoral, por ser sazonal, sempre se mostrou omissa nesse detalhe, conluiado antes da eleição.
Pior ainda quando esse conluio envolve os vereadores. Na leva da gratidão aos vereadores há de tudo, esposas, irmã, primo, prima, amigo, parente, etc. Por isso, o prefeito aprova o que quiser, sem contestação.
O mais grave de tudo isso é o dinheiro que vai pelo ralo. Segundo o promotor Ruan Milani, a Prefeitura gasta R$ 465 mil por mês com os “aspones”. Isso representa R$ 6 milhões por ano e R$ 24 milhões no mandato. Sem contar que os privilegiados recebem outros penduricalhos.
Para manter essa vergonha e prejuízo aos cofres públicos, os astutos e impostores públicos que ocupam poder transitório usam um expediente jurídico condenável, mas que a Justiça não consegue acabar, pela simples razão de que cada ação de inconstitucionalidade pode durar até quatro anos, período de um mandato.
O expediente deplorável consiste na mudança de nomenclatura dos cargos. Se o cargo comissionado de “diretor” foi exonerado em uma ação, os gestores alteram, por exemplo, para “diretor administrativo”. E lá se vão mais quatro anos de ação jurídica.
Agora, devemos dar todo apoio à decisão do promotor Ruan Milani de pedir, em robusto arrazoado, que a Procuradoria-Geral do Estado possa pôr um fim à essa farra.
Os acertos nos apoios de campanha podem ter como barganhas legais os cargos de secretários. O resto é “engana-trouxa”. Neste caso, “engana-eleitor”.
Há também de se execrar os “lambe-botas” que agem em redes sociais defendendo o indefensável à espera de uma “boquinha” que, às vezes, nunca virá.
Rancharia se enfiou no esgoto político, no qual pessoas entram sem medo de se lambuzar, pois almejam poder e privilégios.
E, foda-se o cabresteado eleitor do município.
