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FARRA PATRIMONIAL e o INTERESSE ELEITORAL

FARRA PATRIMONIAL e o INTERESSE ELEITORAL
O imóvel da Anderon Clayton foi doado à APSA paa uso durante 100 anos; encontra-se abandonado
Publicado em 18/06/2025 às 14:26

Ulisses de Souza

Dez anos separam esse texto que escrevi em junho de 2025 do artigo que publiquei em O FATO, em março de 2015. O assunto “farra patrimonial” se refere às doações recheadas de maracutais, politicagens, entreguismos, populismos, praticadas em nome de um tal “interesses público e social”. É uma caixa preta que o jovem e brilhante promotor, Ruan Milani, promete abrir. Com certeza, vai enfrentar a ira de muita gente, mas só o Ministério Público (MP) para investigar com justeza e clareza essa dilapidação do patrimônio público.

O certo é que a maioria das doações teve o “interesse eleitoral” com a conivência criminosa do legislativo, que sempre compactuou com esse esbanjamento de prefeitos que trataram o bem público como se fosse deles.

A iniciativa do promotor Ruan Milani será uma excelente oportunidade para que a dupla Homero do Facão e Miguel da Farmácia possa mostrar a que veio. Principalmente levando-se em conta que a estrutura da atual administração municipal é a mesma do ex-governo Ieia, considerado o prefeito que mais fez doações eleitoreiras.

Vários beneficiários investiram nos imóveis e muitos têm um empreendimento funcionando bem. Nestes, resta saber e entender qual a contrapartida? Há, também, muita gente que vai perder o pouco que investiu por usar o terreno doado em atividades que ficam longe do interesse público e social.

A Câmara Municipal terá papel importante nessa “auditoria forçada”. Como será que os nobres edis vão agir para reaver o imóvel da antiga Anderson Clayton, hoje abandonado pela APSA, que não cumpriu a contrapartida prevista em projeto de 1989, durante o governo Eduardo Franco?

O que será feito da vergonhosa doação de uma área rural para receber a antena da Rádio Difusora, hoje nas mãos de políticos evangélicos?

Com o inquérito aberto, até mesmo as doações realizadas com autorização da Câmara Municipal poderão ser revistas. É o caso dos benefícios sem contrapartida que favoreceram as maiores empresas da cidade, inclusive o Supermercado Avenida, vendido a um grupo investidor.

O que dizer então da doação de uso do imóvel da “baixada” para a Associação Comercial, sem qualquer interesse público ou social? A entidade é associativa e usa o imóvel para vender plano de saúde.

A encrenca vai ser grande e ainda nem começou. O timoneiro da Justiça, promotor Ruan Milani, se mostra convicto em moralizar essa excrescência que dilapidou o patrimônio público de Rancharia.

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