JORNALISMO

O que essa TV tem que a Fronteira não tem?

ULISSES DE SOUZA

O que essa TV tem que a Fronteira não tem?
Publicado em 06/09/2025 às 17:20

Possuo mais de cinquenta anos de experiência jornalística, iniciada como estagiário na Folha de S.Paulo. No trabalho diário, aprendi a compreender as necessidades do público para facilitar seu entendimento das notícias. A lida diária é ainda uma luta incessante.

As linguagens jornalísticas podem ser expressas por meio de textos, imagens, radiofonia ou vídeos, cada uma apresentando diferentes níveis de complexidade. Em relação à comunicação escrita, observa-se que textos longos e literários já não fazem parte do jornalismo impresso contemporâneo. As revistas, cuja abordagem era baseada em textos mais condensados, enfrentam dificuldades de sobrevivência no atual cenário. Até o presente momento, ainda não foi desenvolvida a forma mais eficiente de interação com os leitores, telespectadores ou ouvintes.

O rádio se destaca por sobreviver independentemente de pauta ou jornalismo, mantendo ouvintes informados graças à habilidade dos radialistas. Fiori Giglioti, narrador esportivo da Band, é um exemplo marcante dessa força.

A televisão consolidou-se, superando rádio, jornais e revistas, mas ainda enfrenta desafios para oferecer jornalismo imparcial e transparente em benefício da população.

O que escrevi até aqui foi o tal de “encher linguiça”. Qualquer estudante de jornalismo chama este início de artigo de nariz de cera. No jornalismo impresso, o primeiro parágrafo tem que seguir a concisão. É chamado de “lead”.

Pois bem, esse introdutório rocambolesco e sem concisão serve apenas para este jornalista emitir a opinião sobre o imbróglio TV Fronteira/Globo/TV TEM e tentar passar que entende um pouco do assunto.

Essas emissoras violam a lei de Defesa do Consumidor ao privarem cerca de 900 mil habitantes do oeste paulista da programação da Globo. Condenável sob todos os aspectos.

Em relação ao jornalismo, faço uma avaliação inicial da nova afiliada. Assisti dois programas do “TEM MAIS”, segmento jornalístico da nova afiliada na região de Presidente Prudente. Mesmo com uma ampla área de cobertura – abrangendo as regiões de Sorocaba, Bauru, Rio Preto e Prudente – a equipe de jornalismo da emissora faz uso eficiente do tempo disponível, que ultrapassa uma hora de programação.

Cansei de alertar o pessoal de Prudente, onde tenho amigos, sobre questões relacionadas à pauta, produção e edição de matérias jornalísticas.  As reportagens apresentavam dificuldades em diversos aspectos. Embora a TV TEM não alcance excelência em jornalismo, destaco positivamente a forma como a âncora de Bauru conduz os programas.

A região de Bauru enfrenta escassez de água. Durante uma entrevista, um repórter questionou o prefeito de uma das cidades se as torneiras da casa dele estavam secas, mas não obteve resposta. A âncora do programa registrou a expressão do prefeito ao receber o questionamento. O representante do DAEE de Bauru atribuiu a falta de água à redução do volume dos rios e levou uma direta no fígado, dado pela jornalista, âncora do programa.

Esse tipo de jornalismo não é visto na TV Fronteira, apesar da competência dos âncoras. Sei que serei criticado, mas aprendi a falar abertamente quando percebo problemas.

Sou daqueles jurássicos que se recusam a informar que o céu é de brigadeiro diante da aproximação de tempestades.