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A TV que não TEM comunicação!

A TV que não TEM comunicação!
Publicado em 16/11/2025 às 8:30

Ulisses de Souza

A chegada da TV TEM como afiliada de Presidente Prudente escancara a importância que um veículo de comunicação dá a quem o garante em audiência a demanda por receitas comerciais.

Ou seja, é desprezível a postura da empresa, que não esclarece por que a maioria dos televisores de 56 municípios está sem acesso ao sinal da Globo há mais de 100 dias, desde 1º de agosto.

Sinto o jornalismo da TV TEM desconectado da administração da empresa. Não sabe o que ocorre nos bastidores da falta do sinal da Globo. Se sabe, com certeza não tem a força para brigar e informar quem espera esse mínimo de um veículo de comunicação.

Lembro da comparação feita pelo professor Perseu Abramo, meu chefe na Folha de S.Paulo. Dizia ele, que não há simbiose entre  jornalista e empresário da comunicação. Para ele, “o grau de controle que o jornalista tem sobre seu produto final é mais ou menos o mesmo que tem um metalúrgico sobre a decisão de fabricar um automóvel de luxo para benesse de minorias privilegiadas”.

A equipe gestora da TV TEM teve um período de dez meses, desde que a Globo fez o anúncio, para se organizar e assumir o controle da afiliada. No entanto, decidiu esperar pela decisão final das diversas ações judiciais movidas pela TV Fronteira.

A decisão da empresa priorizou o lucro e evitar possível prejuízo, sem considerar o público social, como idosos habituados às novelas globais.

Transmitiu apenas para Presidente Prudente e deixou mais de 50 municípios sem acesso ao canal anunciado, sem justificativa.

A TV TEM de Presidente Prudente não tem redação suficiente para garantir destaque nos telejornais. A região, com 54 municípios, ainda não foi incorporada aos mais de 300 cobertos pela emissora de Bauru em São Paulo.

A Globo não respondeu ao jornal O FATO sobre sua responsabilidade após ter anunciado em agosto que, a partir de 31 de agosto, a TV TEM Bauru retransmitiria seu sinal para Presidente Prudente e outras 54 cidades.

No início de setembro, a TV TEM informou, via setor de engenharia, que estava finalizando ajustes para transmitir aos 54 municípios e, após novas tentativas de contato do jornal, não respondeu mais. A saída foi procurar o Ministério Público sobre a situação de Rancharia.

Tudo indica, de acordo com que o Jurídico da empresa informou à Justiça, o sinal poderá ser restabelecido no ano da Copa, em 2026.

É que a TV TEM solicitou ao Ministério das Comunicações a concessão de um canal repetidor para cada município, pois a maioria dos canais atuais é da TV Fronteira. Isso demora meses até percorrer os meandros burocráticos do governo.

Contudo, há três cidades em que a Prefeitura detém a propriedade do canal. Entre elas está Rancharia, atualmente foco de investigação pelo Ministério Público. A assessoria jurídica da afiliada informou que o canal seria analógico e estaria desativado. Entretanto, o canal é digital, tendo em vista que não existem mais transmissores analógicos, e está sendo utilizado pela TV Fronteira. Pura mentira!

Rancharia poderia receber o sinal rapidamente, mas a TV TEM optou por seguir a burocracia, prejudicando no município quem assiste à TV aberta.

Mas, o que tem isso a ver com o jornalismo? Citado no alto desse artigo.

Simples, o jornalismo é o produto e os profissionais são obrigados a obedecer às diretrizes dos donos, que não se importam com a obrigação contida na lei das concessões de TV que garante sinais de todas as TVs para escolha da população.

Acompanho a TEM pelo sistema Globoplay. Mantenho um laptop plugado a um aparelho de TV por quase 24 horas. Não sei se o danado vai aguentar.

Assisto principalmente o telejornalismo para entender o projeto editorial da nova afiliada, e percebo que há planejamento nas pautas dos programas especiais.

Por exemplo, a emissora designou dois repórteres para a cobertura da COP 30, realizada no Pará, com o objetivo de divulgar as pesquisas desenvolvidas por universidades do interior paulista apresentadas durante o evento. Diversos trabalhos destacados foram realizados em campi da UNESP. Informação imprescindível.

Aos domingos, há o programa Nosso Campo, com pautas relevantes e boa produção. Foi dirigido, em Sorocaba, pelo nosso saudoso amigo jornalista Eli Frank.

A tarde do sábado tem horário preenchido por um programa cultural. Interessante.

Está anunciada a transmissão de um programa desenvolvido em referência ao Dia da Consciência Negra. O projeto destaca a trajetória do Quilombo Cafundó, localizado em Salto de Pirapora-SP. A conferir.

Portanto, há algo de bom no jornalismo pensado da TV TEM, que oferece benefícios ao fugir dos factuais cansativos do dia a dia.

A população dos 56 municípios oeste paulista merece ter acesso a esse produto. Com certeza, a região oferece diversos temas relevantes para os programas especiais. Mas isso não depende de quem faz o produto.

Perseu Abramo, presente!

Vida que segue, como encerra seus comentários, meu amigo Ricardo Kotscho.