SAÚDE
Hospital e MP ignoram paciente do SUS
Cobrança para aplicar injeção é absurdo

Ulisses de Souza
A cobrança para aplicar injeção em uma paciente gestante do SUS é intolerável e sem propósito. Pior ainda é a decisão do promotor Victor Travain, que arquivou a denúncia sob a alegação de ter aceitado a desculpa esfarrapada do hospital.
Não interessa se custou R$ 25,00, o valor cobrado. O SUS é gratuito, universal, atende pobres e ricos. Todo o dinheiro da Saúde (seja por meio de emendas de vereadores ou de convênio do hospital com a prefeitura) tem a origem no Ministério da Saúde. Se falta remédio na Farmácia municipal é incompetência e falta de planejamento. Como, também, quando falta vacina.
Vejam bem, o SUS é uma mão única. O atendimento se inicia na atenção básica (ESFs e UBSs) e pode terminar em hospitais de média ou alta complexidade. O caso da paciente gestante, começou na rede municipal de ensino (UBS), que não tinha o remédio para anemia. A orientação dada foi comprar o medicamento noripurum (para anemia) e ir ao hospital (que atende 24 horas). Agora, no meio do caminho dizer que não houve credenciamento é o mesmo, por analogia, dizer que a estrada única do SUS foi interrompida num trecho por incompetência de quem a administra.
Hospital alegou que essa aplicação de injeção tinha que ser feita através de credenciamento da rede municipal de Saúde. O promotor Victor Travain engoliu essa falácia e deu razão ao hospital.
Para se ter uma ideia da preocupação com pacientes do SUS, na semana passada o Ministério da Saúde anunciou uma ação que vai autorizar um paciente da rede SUS ser atendido por planos de Saúde, principalmente em cirurgias. O governo vai descontar o atendimento dos valores dos débitos que os planos de Saúde têm com o Ministério da Saúde.
Essa nova ação do governo começa em agosto e o nobre curador da Justiça, ombudsman da população, pode tomar conhecimento para não arquivar representações como a da injeção.
Aliás, o que esperar de uma promotoria que há quatro anos não consegue fazer o hospital reformar a ala SUS, embora recursos públicos tenham entrado em valores que cobrem todas as despesas.
Vale informar que o hospital de Rancharia é sustentado pelos recursos públicos. Cerca de 85% da receita vem através do Ministério da Saúde, por intermédio do SUS.
E pensar que, infelizmente, a Saúde em Rancharia (hospital e prefeitura) é administrada por uma mesma elite do município que só enxerga o povão em épocas de campanha eleitoral.
Se o MP não acudir os sem voz, os invisíveis, não vai dar para acreditar em mais nada em nossa cidade.
Viva o SUS!
