CÂMARA

Poupar o tempo dos vereadores… e dos cidadãos

(Artigo publicado no jornal O FATO,em 2025, no início do mandato da atual Câmara)

Poupar o tempo dos vereadores… e dos cidadãos
Publicado em 16/02/2026 às 18:08

Ulisses de Souza

A Câmara Municipal é a melhor alça de mira de um jornalismo independente, ético e sem ter rabo preso. No interior, cidades pequenas, melhor ainda (ou pior). Tudo depende da conduta do profissional de imprensa, que é quem decide qual linha editorial vai adotar.

Sempre fui crítico contumaz das excrescências observadas em cada sessão da Câmara.  Quando opino, opto pelo contraponto, ou seja, dou a minha sugestão sobre o assunto, e aceito, com prazer, a réplica.

Trato o vereador como gestor público. Muitos são meus amigos, mas não são poupados, já que afinal de contas quando se candidataram a esse cargo assumiram o compromisso moral de legislar pelo interesse público.

Nesse mandato que se inicia a Câmara recebe cinco novos vereadores. Imberbes, ainda, em política, podem cometer pequenos deslizes (já começaram gastando papéis com indicações inúteis).

Nesse artigo vou pinçar o entusiasmo de um deles, o pastor Edclei, responsável até agora pela maioria das indicações, grande parte inócuas e desnecessárias.

Na segunda sessão, ele apontou em indicação a necessidade de roçar e fazer manutenção em uma área da cidade, quando uma pessoa, provavelmente funcionário municipal, postou na internet que esse serviço já tinha sido realizado.

Mas, a indicação vai seguir o ritmo burocrático. O papel vai chegar ao gabinete do prefeito, será respondido, devolvido, lido em plenário e arquivado. Não deveria nem ter saído da Câmara. Por isso, entendo que indicações devem ser feitas de forma cautelosa e não mais de maneira populista a fim de angariar a simpatia de quem fez esse tipo de pedido.

Pois bem, na última segunda-feira, o pastor Edclei fez a indicação para o executivo estudar a implantação de um “PoupaTempo” em Rancharia.

Essa foi uma boa ideia do governo Alckmin, que há 26 anos decidiu por lei instituir um programa que realmente cumpre o objetivo de interesse público. Juntar num mesmo local os serviços públicos oferecidos aos cidadãos.

Esse programa contempla principalmente cidades que possuem acima de 100 mil habitantes. O Estado banca tudo, local, manutenção, funcionários, etc. Por isso, os gestores públicos de cidades pequenas esperam que a cidade seja contemplada com a instalação do tal “Poupatempo” estadual.

Se o pastor Edclei fosse leitor de O FATO por certo saberia das dicas do jornal para implantar em Rancharia um “Poupa Tempo Municipal”.

Quando a Delegacia de Polícia desativou o serviço de tirar R.G. quem deu a cara pra bater foi o jornal. Fomos até o Deinter-8, que autorizou um novo funcionário para atender, já que o anterior estava impossibilitado.

Pois bem, na época nenhum vereador abordou o assunto ou se interessou por ele.

Isso serve só para mostrar que o legislativo precisa enxergar macro e não se preocupar com o micro (tapa buracos, quebra-molas, etc.).

Você, caro vereador, ao invés de pedir um “Poupatempo Estadual”, crie um municipal. Você tem esse poder. Legislativo quer dizer legislar (fazer lei, propor projetos). Você só não pode criar uma lei que implique em custo ao município (isso é competência do prefeito). Mas, pode propor.

Mas, vamos, lá. Faça o projeto para reunir num mesmo local os serviços que estão espalhados pela cidade. Leva o funcionário e os equipamentos para tirar R.G. (atualmente na delegacia); leva os funcionários e os equipamentos do Detran (atualmente na Delegacia); leva o Procon que está na Prefeitura; leva os serviços municipais (água-está no prédio da Câmara – IPTU, trânsito, taxas, etc, serviços que estão no prédio cai-cai da prefeitura; leva o serviço militar (está no prédio da Câmara); leva alguns serviços da Saúde, como regulação, agendamento de viagem, etc..; leva o cadastramento em creches, que está na Educação; leva o Banco do Povo, que está na prefeitura; leva a emissão de carteira do trabalho (carteira digital, por exemplo); serviço certidão eleitoral; etc, etc. etc

Junta tudo isso e mais um pouco num mesmo.

Ah, não tem lugar? Simples, pede de volta o imóvel ocupado pela Associação Comercial, lá na baixada. Não há justificativa que possa dar aval à essa doação, que não teve o interesse público. Lá é o melhor local para centralizar o atendimento ao cidadão ranchariense.

Se o projeto passar pela Câmara, o prefeito pode aprovar ou vetar.

O novo prefeito pode ter a expertise política em inaugurar um local desse.

A administração municipal (já que o projeto é de autoria de vereador) teria que regulamentar a administração (indicar funcionários e pagar) do ‘Poupa Tempo Municipal”.

Esse é um baita de um programa de interesse público.

Simples, até demais.

Consulte o departamento Jurídico da Câmara. Se não der conta, posso criar e enviar um modelo pra você ou para o vereador que se interessar.